COM OBRAS DE PIERRE VERGER E CARYBÉ, EXPOSIÇÃO NO SESI SÃO JOSÉ DOS CAMPOS REFAZ UM DIÁLOGO TRANSATLÂNTICO

Mostra apresenta cenas da vida cotidiana da África Iorubá e da Bahia através do olhar de Pierre Fatumbi Verger e Carybé. A visitação é gratuita, a partir do dia 05 de outubro

 Por: SESI SP São José dos Campos
03/10/201911:36- atualizado às 15:21 em 03/10/2019

O SESI São José dos Campos promove no dia 04 de outubro, sexta, às 19h00, abertura com coquetel da exposição Verger e Carybé: entre as duas margens do Atlântico, sob curadoria de Luiz Gustavo Carvalho. As obras refazem a rota do tráfico negreiro que ligava o Benim à Bahia, e abordam um tema de extrema importância na formação do povo brasileiro: o legado cultural trazido para o Brasil pelo povo iorubá. As obras ficarão expostas na unidade até o dia 7 de dezembro, de terça a sábado, das 9h às 20h, exceto feriados. A visitação é gratuita.

Por meio de fotografias, desenhos e aquarelas do fotógrafo Pierre Verger e do artista visual Carybé, cenas de impressionante semelhança são retratadas ora nas cidades do Benim e da Nigéria, ora nas ruas da Bahia. São 64 obras que mostram a admiração de ambos os artistas pela Bahia e pelas religiões afro-brasileiras.

O fotógrafo, etnólogo, antropólogo e babalaô Pierre Verger dedicou a maior parte da sua vida aos estudos sobre esta cultura na África e na Bahia, onde fixou residência em 1946. “Fiz várias idas e vindas entre a Bahia e a África. Amo quase igualmente as duas margens do Atlântico, com um pouco mais de ternura, no entanto, pela ‘Boa Terra da Bahia’. Essa cidade possui um não sei-o-quê que me prendeu e enfeitiçou...”, comenta o francês Pierre Verger.  Seus livros, tais como Fluxo e Refluxo e Orixás, e o seu rico e extenso registro visual representam uma das maiores pesquisas realizadas sobre este tema no Brasil.

O artista visual argentino Carybé também foi seduzido pela “Roma negra”, onde acabou se instalando e, durante décadas, retratou com impressionante virtuosismo a vida das ruas da Bahia. Carybé se expressou acerca das crenças de origem africana que descobriu em Salvador: “(o meu trabalho) pretende ser um documento honesto e preciso das coisas do Candomblé, mostrando festas, trajes, símbolos e cerimônias por mim vistas e vividas neste mundo prodigioso que os escravos nos trouxeram e depositaram nas profundezas do coração da Bahia”, comenta o artista, que realizou ainda duas visitas ao Benim, onde teve a oportunidade de documentar festas, crenças e cenas da vida cotidiana no continente africano.

 

Sobre o projeto Espaço Galeria SESI-SP

A mostra Verger e Carybé: entre as duas margens do Atlântico faz parte do projeto Espaço Galeria SESI-SP, no qual o foyer do teatro se transforma em plataforma expositiva, recebendo exposições de diferentes técnicas e formatos. Criada em 2013, a iniciativa oferece exposições de artes visuais especialmente desenvolvidas para os centros de atividades do SESI-SP, propiciando a circulação de obras originais com embasamento curatorial e expografia específica. 

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